Brasil 5 Séculos

O MIAN homenageia Aparecida Azedo, autora do painel “Brasil, cinco séculos”, e apresenta junto a outros renomados pintores naïfs, fatos e acontecimentos significativos da história brasileira, reunindo obras relacionadas tematicamente, incluindo a obra Pindorama – Minha querida Amazônia coração verde e amarelo do Brasil.

Visando a formação de novos admiradores da história e arte brasileiras, a linha do tempo histórica e os ciclos econômicos, transformam-se em jogo virtual que brincam com a idéia apresentada no painel “Brasil, cinco séculos”. O visitante é ao mesmo tempo conduzido a refletir sobre o passado e também a fazer uma releitura sobre os dias de hoje.

Aparecida Azedo – A Pintura como Conto de Fadas

“Quando pinto as matas, os pássaros é como se eu estivesse pintando um ser querido”. (de um poema de Aparecida Azedo)
Uma pintora como Aparecida Azedo, nascida numa pequena cidade paulista, Brodósqui (a mesma onde nasceu o grande Portinari) e que desde cedo engajou-se em lutas políticas munida de coragem e fé deve ser uma ilustre desconhecida para a maioria dos críticos e estudiosos brasileiros de arte. Afinal, ela dedica-se a pintar o Brasil. O Brasil de sua história, de seus costumes, de sua fauna exuberante e dos seus contrastes sociais, o mesmo Brasil que está na literatura de Jorge Amado, Rachel de Queiroz e tantos outros autores e músicos como Luiz Gonzaga, ou Villa Lobos.

Claro, a visão de Aparecida Azedo dessa nossa terra que todos amamos é aquela de qualquer artista de sua linhagem, ou seja, uma visão onírica, visionária até, porque nela está inserida a sinceridade de uma alma simples que se empolga com a nossa paisagem amazônica, seus bichos e aves, com sua história oficial e suas lutas político-sociais.
Com sua pintura espontânea nos oferece uma alternativa de orgulho, saudando nossos principais símbolos com o orgulho de quem vive numa terra generosa, num admirável trabalho que se insere na musicalidade do seu povo; ao mesmo tempo em que também é consciente dos seus problemas, das dificuldades das classes menos favorecidas.
Aparecida criou com sua palheta, com a intenção patriótica de oferecer versão marcante, embora ingênua, desse país quase continente que muitos ainda teimam em não querer conhecê-lo. Com sua pintura, está aí mesmo falando para todos, sejam eles simples como ela ou eruditos como tantos outros.

A arte, seja em que linguagem se expresse, tem esse poder de perpetuar a cultura do seu povo.

A vida de Aparecida Azedo é por si só, uma verdadeira obra de arte. Pintando conto de fadas, ao invés de quadros, Aparecida há muito deixou os pincéis de lado e adotou, como único instrumento de trabalho, a boa e velha varinha de condão.

- Ivan Alves Filho (trechos do livro A Pintura como Conto de Fadas – Aparecida Azedo)